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Comportamento

O verdadeiro sentido da amizade


Amizade
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Hoje eu quero falar de amizade, palavra que vem do latim amicus e é derivada do termo amore. Eu, particularmente acho impossível separar uma coisa da outra.
Hoje em dia, com o advento da internet e o crescimento das redes sociais, a palavra amigo ganhou outra conotação.
Sempre que ouço alguém afirmando que tem centenas de amigos noFacebookou em outra rede social, questiono se a pessoa sabe, realmente, o sentido da palavra. Creio que não, pois se soubesse com certeza não classificaria como amigos pessoas que adicionamos ou bloqueamos segundo os nossos interesses.

É claro que essas pessoas podem vir a se tornar amigos de verdade, mas não são amigos simplesmente porque estão ali, muitas vezes com uma foto falsa servindo de perfil.
Mas o que é, afinal, amizade e como nasce e cresce este sentimento tão necessário ao desenvolvimento humano.
Muitos livros já foram escritos para explicar este afeto, mas, talvez, nenhum deles tenha tratado o assunto de forma tão poética como O PEQUENO PRÍNCIPE, escrito em 1943 pelo francês Saint Exupéry.

Eu sei que não é a indicação literária que se espera de um filósofo, afinal o livro, apesar de ser um dos mais vendidos do mundo, perdendo só para Bíblia, sempre foi execrado por acadêmicos que o classificam como livro de miss. Mas gosto e indico o livro porque sua narrativa, que em uma primeira leitura parece uma fábula infantil, possui um teor poético e filosófico capaz de levar o leitor a refletir sobre temas importantes como amor e amizade.
A riqueza do Pequeno Príncipe se explica pelo fato dele ser um livro escrito em camadas, ou seja, um livro que pode ser lido por todos e entendido de acordo com a vivência de cada um.

Eu, que leio com o olhar do filósofo, identifico na história do garotinho que, querendo conhecer o sentido da existência, abandona o pequeno planeta onde vivia com um rosa chata e faladeira, um pouco de todos que, presos a uma existência ordinária, na angústia da incerteza, está, a todo o momento, em busca de algo ou alguém que nos explique o verdadeiro valor da vida e das pessoas que nos acompanham nesta jornada, aparentemente, sem sentido. .
Uma das passagens mais marcantes e conhecidas é o encontro do Pequeno príncipe com a com a raposa:

O pequeno príncipe atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha insignificante...
- Bom dia - - Onde estão os homens? - Perguntou ele educadamente.
- Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os faz muito tempo. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes.
E ele se sentiu profundamente infeliz.E, deitado na relva, ele chorou. E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Quem és tu? - Perguntou o principezinho.
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...
-Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho. - Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

Maior clareza impossível! Pense nisso quando se referir a alguém como amigo ou desejar a amizade de alguém.
Sentimentos verdadeiros e duradouros não nascem por acaso. Cativar alguém requer ação, dedicação, construção, indulgência, capacidade de perdoar, capacidade de se doar, desejo verdadeiro de agradar. Mas requer principalmente lealdade, porque, como também nos ensina o Principezinho, Somos responsáveis por aqueles que cativamos.
Pessoas não são descartáveis. Não podem ser usadas como um meio para se atingir um fim. Sentimentos não podem, uma vez despertados, serem ignorados, bloqueados ou, simplesmente, deletados.

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

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