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Comportamento

O Esnobe


Esnobe
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Você sabe o que é um esnobe?

Esnobe é aquele que julga o outro pela aparência e comete o equivoco de acreditar que a classe social de um indivíduo é que determina seu caráter e seu valor como ser humano.

Basta você dar uma olhada ao redor para encontrar um esnobe. Eles estão por todas as partes. É aquela secretária que não fala com os faxineiros da empresa, mas se abre toda quando vê um chefe. É a vendedora da loja que olha com desdém para um cliente que não esteja (segundo ela) vestido como rico. É o policial que olha negros e pobres como suspeitos. É a madame que seleciona as amigas pela grife da bolsa. É a periguete que só namora com o jogador de futebol que dirige uma Ferrari. É o jogador de futebol que acha que se tornou melhor só porque comprou uma Ferrari.

O termo esnobe nasceu na Inglaterra em meados do século XIX, quando a revolução industrial provocou uma grande mudança social misturando nobres e plebeus e permitindo que os filhos dos camponeses, graças ao dinheiro adquirido com a nova tecnologia de cultivo, passassem a frequentar escolas que antes só os nobres frequentavam. Para diferenciar nobres e plebeus, essas escolas passaram a adotar um sistema discriminatório: colocar antes dos nomes de seus alunos o termo “sine nobiliate”, ou simplesmente “s. nob”, que significa, sem nobreza.

S. nob se transformou em “esnobe” e ganhou um sentido oposto. Se antes era usado para designar os que não eram bem nascidos, agora passou a designar aqueles que praticam abertamente um preconceito social ou cultural.

O esnobe não é um racista, não é um sexista, não é um homofóbico. Ele não, obrigatoriamente, discrimina a pessoa pela cor da pele, pela religião, pelo gênero ou pela condição sexual. O que irrita o esnobe é pensar que aquela pessoa que está diante dele pertence a uma classe social inferior. Isso ele não suporta. O principal interesse do esnobe é o poder. Para ele, estar ao lado de gente rica e importante é motivo de orgulho.

Ser uma pessoa boa, honesta, verdadeira importa muito pouco ao esnobe. Você pode ser sábio como Einstein, pode ser bom como Irmã Dulce, trabalhar como um escravo, ser leal como um cachorro, mas se não ostentar emblemas socialmente reconhecidos como de valor social ou monetário, será sempre olhado pelo esnobe como alguém inferior e sem importância.

A convivência com um esnobe pode causar grande estrago na autoestima dos mais fracos e influenciáveis pela opinião alheia. O esnobe é sempre cruel com aquele que julga inferior e, principalmente, na presença de outras pessoas, faz do desprezo ao outro uma forma de espetáculo que visa chamar a atenção. Ele não poupa nem mesmo os amigos. Adora fazer a linha “malévola” ou “bicha má” e usa, sem o menor pudor, aquilo que considera inferioridade no outro como estratégia para chamar atenção a sua pretensa superioridade.

O personagem Felix da novela "AMOR À VIDA" é o exemplo máximo de um esnobe. Cheio de frases feitas e maneirismo tosco, utilizava os ternos bem cortados, a casa luxuosa e o linguajar ferino para ocultar a carência afetiva que corroía sua alma.

O que interessa ao esnobe não é o amor da pessoa que está ao seu lado, mas a inveja que esta pessoa vai despertar no outro. Eles não desejam o carro, a roupa de grife ou casa grande e com piscina por aquilo que esses bens materiais tem de valor real, mas pelo sentimento que esses símbolos de status despertam nas pessoas.

O esnobe é uma criatura infeliz que subestima o outro simplesmente porque não está convencido da própria posição. Um ser fraco e portador de um caráter duvidoso. Gente quase sempre marcada por uma história de sofrimento e rejeição que, por crescer sem amor nem respeito, não desenvolveu a capacidade de amar de verdade. Que não distingue coisas de pessoas e dá a tudo um valor de utilidade.

Desprezados pelos pais, motivo de riso na escola, discriminados pela aparência ou por terem nascidos em uma classe considerada inferior, o esnobe é um sociopata que precisa estar sempre na frente de todos ou pelo menos ao lado dos que considera superior.

Como bem disse Protágoras (sofista grego que viveu entre os séculos 490 e 415 a. C): o homem é a medida de todas as coisas.

Por isso, na próxima vez que você se deparar com uma daquelas pessoas que te olham de cima para baixo com ar de superioridade, não tenha raiva, tenha pena. Com certeza se trata de mais um desequilibrado emocional que se apega ao material na ilusão de encontrar ali a força capaz de atrair o amor e o respeito que nunca teve. Não se sinta inferior, mesmo que o outro esteja dirigindo um Jaguar ou portando joias caras.

Pobre não é aquele que usa roupa sem grife ou anda a pé. Pobre é aquele não tem um amor de verdade. Em um mundo onde nem tudo o que desejamos ou precisamos pode ser comprado com dinheiro, a riqueza pode tirar um homem da miséria, mas não tira a miséria de dentro do homem."

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.