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Comportamento

A importância do perdão

Perdão

Rancor é aquele ressentimento intenso provocado por um ultraje ou uma ofensa que ocorreu no passado, mas que a maioria de nós insiste em cultivar.

Pesquisas recentes afirmam que o rancor é o responsável pela origem de alguns tipos de câncer e que a melhor maneira de se prevenir contra esses tumores é praticando o perdão.

Em uma sociedade tão vaidosa e egocêntrica como a nossa, praticar o perdão não é tarefa fácil. Principalmente porque muita gente confunde perdoar com esquecer.

Perdoar não é esquecer, mas concluir que cultivar mágoas passadas ou memórias de pessoas negativas não irá mudar o passado, apenas infernizar o presente.

O perdão nos livra da angústia, da amargura, da depressão e, agora como afirmam os cientistas, até do câncer.

Não existe felicidade sem tranquilidade. E a tranquilidade passa sim - e obrigatoriamente - por perdoar todas as pessoas que de alguma forma nos ofenderam, nos injuriaram, nos prejudicaram, ou nos causaram dificuldades desnecessárias.

Perdoar especialmente aqueles que nos provocaram a ponto de nos fazer perder a paciência e reagir violentamente, para depois nos fazer sentir vergonha, remorso e culpa inadequada. Perdoar é não procurar bodes expiatórios, mas assumir as rédeas das nossas vidas. O perdão nos ajuda a abandonar a condição de vítima e nos faz entender e aceitar que o outro tem sim o direito de rejeitar o nosso amor e o nosso carinho.

Perdoar não é fácil. Precisa ser um exercício diário e constante, mas assim como a musculação aumenta nossos músculos, o perdão nos faz crescer e nos condiciona para entrar em relações de forma adulta e consciente, sem esperar fadas madrinhas ou príncipes encantados, porque a verdade é que, nem sempre, somos vítimas inocentes. Muitas vezes fomos os responsáveis pelas agressões que recebemos, pois vaidosos, carentes e desejando amor, entregamos nossas vidas nas mãos de indivíduos negativos e permitimos que esses descarregassem sobre nós seu mau caráter e sua natureza sádica. Porque também nós não somos perfeitos. Também nós, às vezes, tentando acertar erramos.

Quantas vezes, na busca de afeto, nos tornamos invasivos, chatos, pegajosos, inconvenientes.

Quantas vezes não demos ao outro a chance de explicar? Quantas vezes ignoramos as dores e as necessidades do outros?

Quantas vezes usamos aquilo que nos foi revelado em momento de confiança como ferramenta de chantagem ou de torturar psicológica?

Mas nada de remorso. Pois tão importante quanto perdoar ao outro é perdoar a nós mesmos. O auto perdão nos livra do remorso, nos permite avaliar nossas ações com generosidade suficiente para perceber que o valor das boas ações que realizamos é suficiente para pagar todas as nossas dívidas e resgatar todas as nossas culpas, sobrando ainda um saldo positivo a nosso favor.

A filosofia ocidental, que tem a Grécia como berço, deve muito à filosofia do oriente que era praticada muito antes dos gregos se espantarem com a perfeição do universo. Entre os filósofos orientais, um dos mais influentes foi Sidarta Gautama, que ficou conhecido depois como Buda.

Independente de entender o budismo como filosofia ou religião, o que nos interessa é que ele nos ensina que mágoa e rancor são obstáculos à evolução e que só livres da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com indivíduos e ambientes tóxicos, poderemos nos preparar para esse estado de tranquilidade que chamamos de felicidade.

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

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