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Comportamento

Lobo em pele de cordeiro

Lobo em pele de Cordeiro

O homem é um animal político. Um ser que só realiza sua natureza em contato com o grupo. Ou seja, é um ser gregário que precisa do outro para se formatar como pessoa.

Diante desta realidade que marca a natureza humana fica difícil aceitar pessoas que dizem não gostar de política.

Até entendo que em um país como o nosso, onde o cidadão é desrespeitado por aqueles que escolheu para representá-lo, a maioria não goste dos políticos. Mas gostar de política é diferente de gostar de político. Político é só uma pessoa. Política é a organização, a direção, a administração e tudo o que influência a vida em sociedade.

Neste período de eleição, a filosofia se apresenta também como uma ferramenta capaz de desmascarar a ideologia que só interessa aos reacionários que utilizam o discurso da moralidade para propagar a imoralidade.

No Brasil, política ganhou um sentido pejorativo; politicagem que, grosso modo, significa ação de pessoas que usam da mentira para conseguir benefício próprio.

A análise da história mostra que tal sentido não é injustificável. Em 500 anos nunca tivemos de fato uma democracia, mas sim períodos onde o poder repousou nas mãos de diferentes grupos com diferentes interesses. Mesmo agora, o que temos é uma partidocracia, onde os interesses do cidadão são ignorados em nome de projetos de poder que só interessam aos partidos.

Mas cada eleição é sempre uma oportunidade de mudar essa realidade.

Eleições servem para que possamos escolher homens e mulheres que irão nos representar e defender aquilo que pensamos, acreditamos e queremos. Está em nossas mãos escolher quem ficará no poder e com o poder de decidir nossas vidas. Por isso, em período de eleição, os políticos esquecem o pudor e o senso de ridículo e, usando todas as artimanhas de sedução pensadas por marqueteiros contratados a peso de ouro, se portam diante do eleitorado como Salomé se portou diante do Rei Herodes.

Não se deixe enganar por personagens engraçadinhas que se portam como palhaços ou senhores e senhoras sisudas que se apresentam como defensores da ética, da moral e da família. Temos que entender o candidato em que votamos como a imagem que o espelho reflete quando nos colocamos diante dele. Ele representa nossas crenças, desejos, conceitos e preconceitos sobre justiça, sexo, amor, droga e religião. É ele quem vai mostrar ao mundo aquilo que pensamos, sentimos, acreditamos e defendemos como certo ou errado.

O mundo ainda se choca com Hiroshima e Auschwitz. Lamentamos e colocamos a culpa em chefes de Estados degenerados, mas escondidos atrás de homens como o presidente norte-americano Harry S. Truman, que ordenou o lançamento da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, e sustentando Adolf Hitler e os generais nazistas responsáveis pelo genocídio de mais de 6 milhões de judeus. Havia milhões de norte americanos e alemães que escolheram esses homens como seus representantes.

Pense nisso antes de escolher seu candidato, pois, como repetia Marx, o homem é quem faz a história, mesmo quando não sabe o que está fazendo.

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.