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Comportamento

O Vampiro nosso de cada dia

Vampiro Dante
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Os vampiros estão na moda. No cinema, na TV e na literatura eles são aqueles seres pálidos e infelizes que para continuar existindo precisam usar os dois caninos proeminentes para sugar o sangue de suas vítimas. Mas os vampiros não estão só no cinema.

Na vida real, eles se disfarçam de pessoas comuns. Gente que não tem caninos proeminentes, mas que sobrevive graças à energia que suga de você. São maridos, filhos, amigos, patrões, mães, pais. Pessoas que exigem nossa atenção, nossas emoções, o nosso material, mas não oferecem nada em troca.

Quem não conhece uma pessoa assim?

Vampiro é a amiga que parecia tão gente boa, mas se revela uma invejosa que não faz o mínimo esforço para obter o que precisa e sempre deseja aquilo que você conseguiu com tanto trabalho. É o namorado ou a namorada que exige fidelidade, mas são desleais e vivem boicotando a autoestima do parceiro.  É a vizinha invejosa que faz questão de dizer que você engordou.  É o patrão que, mesmo sabendo o quanto você se esforçou, diz que seu trabalho está ruim. É o amante que sempre chega ao orgasmo antes de você e quando cobrado diz que a culpa é sua. É o líder espiritual que manipula sua fé em proveito próprio e só fica feliz quando olha você aprisionado pela culpa. É a mãe que encontra maneiras de torturar o filho psicologicamente. É o filho que usa o amor materno para escravizar os pais.

O vampiro é alguém por quem nutrimos forte sentimento de amizade, de paixão, de respeito, de amor.  Gente que se aproveita dos nossos bons sentimentos. Que puxa o nosso tapete. Que não valoriza nossos esforços. Que fala mal dos nossos amigos, do nosso trabalho e da nossa família. Gente que não tem interesse nas dores ou problemas dos companheiros nem paciência para escutar. Gente que, guiada por aparentes boas intenções, destrói sonhos, reputações, relações e vidas.  Uma criatura que está ao seu lado, mas não sabe nada de você. Que fala muito, mas escuta pouco. Que te deixa cansada, exaurida, para baixo, insegura e sem vontade para nada.

Já conheci pessoas maravilhosas e cheias de vida que, de repente, passaram a se queixar de profundo cansaço físico e emocional. Pessoas saudáveis que se sentiam doente e sem estímulo para reagir ou esperança de melhorar. Pessoas que tinham tudo para fazer sucesso e ser feliz, mas vítimas do seu vampiro particular, acabaram em clínicas para depressão.

Se aquela pessoa em quem você depositou tanta esperança transformou sua vida em um filme de terror, cabe a você ser a heroína deste filme.

Na ficção, a única maneira de se livrar de um vampiro era enfiando uma estaca de madeira em seu coração. Na vida real não precisamos ser tão radicais ou violentos, só é necessário virar as costas e deixar o monstrinho falando sozinho. O melhor antídoto contra a criatura que está sugando sua energia é ficar longe dela. Não permitir o contato nem pelo facebook. Deletar de vez da sua vida.

O importante é reagir antes que roubem até sua alma. Isso nem sempre é fácil. Todos nós precisamos do outro para viver. Mas o afeto tem que ser mútuo. Carinho, respeito, amor, prazer precisam ser recíprocos. Do contrário, é melhor ficar sozinho.

Substitua a estaca no coração pelo pé na bunda da criatura sugadora. Depois levante, vire as costas e vá embora sem culpa, afinal, quem nunca fez diferença também não irá fazer a menor falta.”

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.