5.0

Comportamento

Ser Mãe é padecer no paraíso

Ser mãe é padecer no paraíso

Adolescência é aquela fase entre a infância e a vida adulta. É um termo relativamente novo, criado em meados dos anos 60. Antes disso o indivíduo era ou criança ou adulto.

Muita gente confunde adolescência com puberdade. Na verdade, a puberdade é a fase inicial da adolescência e se caracteriza pelas transformações físicas e biológicas do corpo. Nos meninos aparecem os pelos pubianos, pênis e testículos se desenvolvem, a voz se torna mais grossa, há crescimento corporal e as primeiras ejaculações. Nas meninas, as mudanças mais importantes são: começo da menstruação, desenvolvimento das glândulas mamárias, aparecimento de pelos na região pubiana e axilas e crescimento da região da bacia.

Independente do gênero, meninos e meninas, neste período de transformações, passam a viver sob aquilo que na psicologia é conhecido como SÍNDROME DA ADOLESCÊNCIA NORMAL.

Síndrome é um termo que a medicina usa para designar um conjunto de sintomas. A SÍNDROME DA ADOLESCÊNCIA NORMAL compreende um conjunto de comportamentos que pais e professores de adolescentes conhecem muito bem.

1 A Busca por uma identidade – Na busca por uma identidade própria, o adolescente passa a se vestir de maneira a se diferenciar dos adultos. Não raro, escolhem como modelo artistas e cantores. Outras vezes, simplesmente criam o próprio estilo usando brincos, adereços, tingindo os cabelos, usando roupas espalhafatosas e originais.

2 Tendência Grupal – O adolescente passa a fugir do convívio com a família e se refugia no grupo em busca do apoio. Por pensar igual e viver o mesmo drama, os amigos se tornam referência. No grupo, e livre das críticas dos pais e professores, o adolescente se sente querido e seguro.

3 A necessidade de fantasiar e intelectualizar – No confronto com os adultos, o adolescente se vale de um discurso fundamentado na fantasia de um mundo ideal e defende este mundo como se fosse um mestre ou doutor defendendo uma tese muito bem pensada e elaborada.

4 Reestruturação temporal – O tempo e o espaço perdem o sentido. O adolescente dorme tarde, acorda tarde, chega atrasado, não respeita compromisso. Esbarra em tudo e todos. Derruba copos e tem dificuldade na coordenação motora. Ele passa a roer unhas, ou a gaguejar, ou desenvolve hábitos estranhos como torcer o cabelo.

5 Evolução sexual – A chegada da puberdade e a grande produção de hormônio transforma o adolescente em uma bomba de energia. A masturbação se torna frequente e, apesar de ser uma forma de autoconhecimento extremamente natural, muitas vezes esse hábito se faz acompanhar do sentimento de culpa. Não é raro surgir uma fase de confusão sobre a identidade sexual. Os meninos se aproximam mais dos meninos e as meninas das meninas. Tudo é muito intenso. O adolescente geralmente se apaixona de forma avassaladora. É nessa fase que o adolescente formata sua sexualidade e se prepara o amor maduro.

6 Crises religiosas – A confusão emocional e a angústia fazem com que o adolescente busque na religião uma explicação para a vida. Mas, como os sentimentos nesta fase funcionam no ritmo de montanha russa, ele pode passar rapidamente da descrença radical em qualquer deus ou religião ao misticismo fervoroso.

7 Atitude social reivindicatória – Há necessidade de se colocar contra todas as regras pré-estabelecidas. O adolescente quer destruir tudo aquilo que considera socialmente injusto. Reivindicar um mundo melhor e diferente se torna obrigação e maneira de extravasar a energia. Por isso é comum um grande número de adolescentes em passeatas de protestos.

8 Contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta e constantes flutuações do humor – A mudança constante de humor é acompanhada de uma constante mudança de opinião. Essa bipolaridade que enlouquece os pais é fruto da depressão, da ansiedade diante do mundo que se apresenta.

Ser mãe é padecer no paraíso, mas ter filhos adolescentes pode transformar a vida de qualquer um em um inferno.

Conhecer os comportamentos que caracterizam a adolescência é essencial aos pais que desejam sobreviver, sem grandes traumas, a este período tão complicado da vida dos filhos.

Impor limites é necessário, afinal o adolescente precisa da figura de autoridade para não se perder, mas castigar ou partir para o confronto não trará bons resultados. Os especialistas deixam claro que “somente quando o mundo adulto compreende e facilita adequadamente a tarefa evolutiva do adolescente, ele poderá elaborar uma personalidade mais sadia e feliz”.

O adolescente é um ser enlutado. Quanto maior a morte, maior será o destino.

O comportamento confuso, radical, violento (às vezes) é um mecanismo de defesa frente a situações que o adolescente não pode controlar. O corpo está em transformação. As pernas e braços parecem esticar. Surge o pomo de adão nos meninos e a primeira menstruação – menarca – nas meninas. O adolescente estranha seu próprio corpo. Ele sente que a infância está morrendo e que terá que deixar para trás uma série de sentimentos, pessoas, objetos e situações que antes faziam sentido.

Isso gera uma sensação de fracasso e leva à depressão. O radicalismo com que ele se lança na defesa de seus desejos confusos e seus pontos de vistas sem sentido é uma maneira de preservar ao menos uma parte da sua personalidade.

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.