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Comportamento

Folia e Parafilia

Folia e Parafilia

Parafilia, a grosso modo, pode ser explicada como uma relação sexual onde o prazer não fica limitado às zonas que se convencionou chamar de erógenas e nem na cópula convencional. Uma relação que, envolta no erotismo, pode sim ser classificada como sexual, mesmo que não tenha nada a ver com a tal ideia romântica do “fazer amor”.

São dezenas de parafilias catalogadas. Para citar todas seria necessário muito espaço e tempo. Dependendo da época, da sociedade e da moral vigente, algumas delas, como a gerotonfilia, que consiste na atração sexual por pessoas idosas, são motivos de piadas e outras, como a cropofagia, que consiste no prazer pela injestão de fezes, são consideradas escatológicas.

O próprio termo parafilia, que vem da junção dos vocábulos gregos para, que significa “fora de”, e philia, que significa “amor”, já se encarrega de eliminar qualquer possibilidade de romantismo.

Educados em uma cultura fortemente influenciada pela religião judaico-cristã, crescemos acreditando que o único sexo permitido é aquele diretamente ligado à relação papai – mamãe – família, e que uma relação onde o indivíduo, liberto da obrigação de atrelar sexo e amor, recorre a objetos, atividades ou situações incomuns para realizar seus desejos e chegar ao orgasmo é herética e pecaminosa.

Em um musica de grande sucesso, cuja letra foi escrita por Arnaldo Jabor, a cantora Rita Lee desmistifica essa coisa de sexo estar diretamente ligado ao amor romântico ao afirmar que “sexo é escolha e amor é sorte”. Não sei se amor é sorte, mas concordo que sexo é questão de escolha.

Vejam bem que estou me referindo ao sexo como “ato sexual” e não a sexualidade. Sexualidade é questão de natureza, já nasce com o sujeito e, para desespero dos puritanos de plantão, se manifesta de forma diversa.

Qualquer jogo sexual praticado entre adultos conscientes é válido. Pode até dispensar a presença física de um parceiro se essa for a sua escolha. Conheço muita gente que garante que o melhor sexo é aquele que se pratica sozinho.

Tudo bem se você achar estranho. Tudo bem se você, exercitando sua liberdade, escolhe só se envolver sexualmente com alguém que você ama. O que não se pode é ignorar que existem sim outras formas de prazer e, muito menos, condenar aqueles que encontram prazer nessas outras formas. Certo ou errado são conceitos subjetivos.

Se sexo é escolha, podemos escolher viver nossa sexualidade da forma mais prazerosa possível, sem ficar preso à cartilha moralista que dita o certo e o errado e condena ao inferno aqueles que não procuram um parceiro querendo casar, mas desejando gozar.

Não se reprima. Você pode tudo. Orgasmo é consequência de uma atitude sexual que só depende de você. Brinque com as cores, cheiros, sabores, texturas, tamanhos, gêneros. Viva sua sexualidade. Esqueça a opinião alheia e faça da filia ou da sua parafilia uma grande folia.

Julio Kadetti


Julio Kadetti

Filósofo

 Julio Kadetti é escritor, roteirista, filósofo graduado pela Universidade Mackenzie e Sociólogo Pós graduado pela Universidade Gama Filho.

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